Cropped view of young business team discussing the plan together in modern office room

A importância de projetos cooperativos para a cultura da inovação

Em webinar, Kaísa Couto, diretora técnica da ABAL, relata a experiência conjunta de empresas no desenvolvimento de ligas de alumínio para o setor automotivo

A Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) realizou um webinar na última terça-feira, 30 de junho, para mostrar como a união entre empresas pode fortalecer a inovação no pós-Covid-19. Desde a fundação, em 2013, a organização social já superou a marca de 100 projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação cooperativos, modalidade na qual companhias com necessidades em comum se juntam para criar novos produtos ou processos.

No webinar, Kaísa Couto, diretora da área Técnica da Associação Brasileira do Alumínio (ABAL), ressaltou a importância de a inovação estar na agenda estratégica das companhias, o que contrasta com a cultura atual da maior parte delas. Enquanto países como Israel e Coreia do Sul direcionam cerca de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) para essa área, o Brasil investe apenas 1,6%.

“Os projetos cooperativos, como o modelo utilizado pela Embrapii, podem ser um bom caminho para instaurar a cultura da inovação”, opina.

Kaísa contou que a ABAL, após o lançamento em 2018 da Rota Estratégica da Cadeia Brasileira do Alumínio 2030, iniciou uma aliança estratégica com a Embrapii no ano passado. Dessa iniciativa, nasceu o primeiro projeto cooperativo e colaborativo entre as entidades, em conjunto com 14 empresas dos setores de alumínio, automobilístico e de transportes, e apoio do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT).

O objetivo é desenvolver sistemas para estudar, comparativamente, um conjunto de ligas de alumínio e a relação delas com outros materiais, como o aço, para aplicações automotivas, incluindo simulação computacional para análise de propriedades. O prazo para execução é estimado em 18 meses.

“Conseguimos reunir empresas nacionais, multinacionais, de médio e grande portes, e até uma startup com produtores e usuários de alumínio. Esse projeto é um exemplo de cooperação que vai trazer capacitação e benefícios para todos os envolvidos e também para as cadeias produtivas”, ressalta Kaísa.

João Irineu Medeiros, diretor da Fiat Chrysler Automóveis (FCA), empresa que participa do projeto da ABAL, disse na conferência online que, hoje, mais de 50% da fabricação de um automóvel envolve chapa de aço. O uso de ligas de menor peso e baixa densidade, como o alumínio, pode contribuir para a redução de emissões de CO2 e melhorar o desempenho energético.

“A evolução e junção do aço e do alumínio são fundamentais para termos um carro mais competitivo”, afirmou.

Desafios
Um dos principais benefícios dos projetos cooperativos está atrelado ao fato que empresas, por vezes, até concorrentes aprendem e inovam conjuntamente, superando os desafios de um mercado competitivo.

“É um processo complexo, mas quando encontramos apoio junto às lideranças, dá para fazer essas alianças. A ABAL já tem esse papel como entidade de classe, que reúne empresas que concorrem entre si, de encontrar um ponto em comum”, explica Kaísa.

Durante o webinar, Jorge Guimarães, diretor-presidente da Embrapii, anunciou que vai aumentar a participação da entidade para 50% nos projetos de inovação que envolvam startups, pequenas e médias empresas.

“Vamos fortalecer esse grupo de empresas e apostar nas cadeias e projetos colaborativos”, concluiu.

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