Um caminho para o futuro

Junto com importantes stakeholders, ABAL elabora planejamento de longo prazo para o setor do alumínio

Quais os objetivos do setor de alumínio brasileiro até 2030? Como fazer para que eles sejam alcançados? As valiosas respostas para essas e outras questões estão na Rota estratégica da cadeia brasileira do alumínio, que propõe um planejamento de longo prazo para o segmento. O documento foi produzido pela Associação Brasileira do Alumínio (ABAL) em parceria com o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Além disso, contribuíram relevantes atores envolvidos com o alumínio.

O lançamento oficial do estudo ocorreu no dia 28 de fevereiro, em cerimônia realizada na sede da CNI, em Brasília. Importantes personalidades participaram da solenidade, como o ministro Marcos Jorge de Lima, do MDIC; o terceiro-vice-presidente da CNI, Paulo Afonso Ferreira; e o presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Edson Luiz Campagnolo. A Fiep teve participação importante na formulação do planejamento, já que o estudo é fruto de um amplo processo de construção coletiva conduzido pelos Observatórios Sistema Fiep.

O nascimento da ideia
O segmento de alumínio brasileiro passou por profundas transformações nos últimos dez anos. O País, que chegou a ser o 4º maior produtor mundial de alumínio primário, ocupa hoje a 10ª posição no ranking — muito por conta dos altos custos de industrialização e pela perda de espaço para os chineses, que deslocaram produtores históricos do material.

“Não temos dúvidas de que, com esse planejamento, o Brasil voltará a ocupar um papel de destaque no comércio internacional de alumínio. O MDIC está empolgado não apenas por ter participado das discussões para a criação da Rota estratégica, mas por poder facilitar medidas que trarão competitividade ao setor” Marcos Jorge de Lima, ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços

Por outro lado, o desempenho no início da cadeia, com a exportação de minério de alumínio (bauxita) e de óxido de alumínio (alumina), é bastante satisfatório. Em 2017, de acordo com a ABAL, o crescimento foi de 19%. Além disso, a bauxita ficou entre os mais importantes elementos da pauta de exportações do setor de minérios.

Diante de um cenário dinâmico, repleto de disrupturas, surgiu um desafio ainda em 2016, proposto pelo Conselho Diretor da ABAL: criar um instrumento que ajudasse as empresas do setor a elaborar seus planejamentos. “Entender as ameaças, as oportunidades que são colocadas diante de nós e o que fazer para se preparar para elas é essencial”, comenta Tadeu Nardocci, presidente do conselho.

Para viabilizar o projeto, a associação colocou a mão na massa. “Vimos o que já existia no mercado, incluindo um planejamento tecnológico feito pelo setor de alumínio canadense, e tivemos contato com a técnica de Roadmap, usada por alguns setores e governos”, lembra o presidente-executivo da associação, Milton Rego. Estabelecer 2030 como o ano limite do projeto teve motivações estratégicas: “O nosso setor, principalmente quando falamos de mineração, produção primária e semimanufaturados, exige investimentos de capital extensivo e com prazos de maturação longos”, explica Milton.

Os Observatórios Sistema Fiep, que dominam a técnica de Roadmap, foram os responsáveis por conduzir os trabalhos. Eles são uma linha de ação do Senai no Paraná dedicada à prestação de serviços de pesquisa, prospecção, planejamento e articulação com vistas ao desenvolvimento da indústria e melhoria de sua competitividade. Contribuíram na escolha os mais de dez anos na realização de projetos com empresas, instituições governamentais e entidades sociais, educacionais e tecnológicas.

O que é Roadmap?
Em tradução livre, significa mapa do caminho. “É exatamente isso que a metodologia se propõe a fazer: construir, de forma coletiva, um desenho dos caminhos que podem ou devem ser percorridos com vistas ao alcance de um objetivo maior no futuro”, explica Marília de Souza, gerente dos Observatórios. “Nesse sentido, ele estabelece uma visão de futuro e as ações de curto, médio e longo prazo, necessárias para que ela se torne realidade”, completa.

Para o trabalho ser executado de maneira assertiva, é de suma importância a participação de stakeholders e especialistas no setor, o pensamento de longo prazo e a antecipação. “O futuro que irá acontecer será aquele que um número maior e mais qualificado de pessoas escolher para construir. A missão é definir e consolidar, de maneira ativa, o porvir”, justifica Marília.

Como o trabalho foi conduzido

“Destaco o fato de termos dedicado um ano, durante a crise, para olharmos no longo prazo. Esse é um exemplo da harmonia do setor do alumínio no Brasil em torno do crescimento e da competitividade. O jogo começa agora e precisamos colocar essa Rota estratégica em ação. Trabalhar em parceria com diversos stakeholders deve nos permitir implementar as ações definidas no planejamento”
Tadeu Nardocci, presidente do Conselho
Diretor da ABAL

“O fato de a ABAL trabalhar com toda a cadeia e não apenas com um elo dela traz mais complexidade para o projeto. Por outro lado, deixa-o mais robusto”, pontua Milton Rego. Além disso, o planejamento envolveu algumas questões que necessitam de alinhamento com outras instituições. Por isso, o MDIC e a CNI foram convidados e aceitaram ser parceiros na produção do projeto.

“O MDIC atuará diretamente na implementação de ações sugeridas no Roadmap, facilitando a interlocução dos diferentes atores do setor, além de fazer intervenções pontuais de

defesa de interesses do setor no âmbito do governo federal”, garantiu o ministro Marcos Jorge.

Pela complexidade da cadeia, o setor foi dividido em quatro elos: Mineração e Transformação Primária; Reciclagem; Semimanufaturados; e Aplicação de Produtos de Alumínio. Houve grande preocupação quanto ao peso dos participantes, pois o trabalho precisaria contar com atores com representatividade com expertise no assunto e que fossem grandes influenciadores, com poder de decisão.

Kaísa Couto Machado, gerente da Área Técnica da ABAL, esteve bastante envolvida na operação. “Conseguir que diretores de empresas e profissionais de áreas estratégicas das mais diversas instituições se dedicassem a um projeto desses é difícil, mas nós tivemos muito êxito nessa empreitada. Todos os envolvidos se dedicaram, deixando seus afazeres nos dias dos painéis para contribuir com a discussão”, lembra.

Definindo as visões de futuro

No fim das discussões sobre cada elo, chegou-se a um total de mais de 240 ações estratégicas para serem concluídas em curto (2017-2020), médio (2021-2025) e longo (2026-2030) prazos. “Foi interessante, pois notamos que muitas ações se repetiam entre os quatro elos ou eram complementares”, recorda Kaísa. “Isso permitiu que chegássemos a um tema global da Rota estratégica: ‘cadeia brasileira do alumínio competitiva, inovadora, sustentável e integrada’”.

Todo esse exercício de construção coletiva do Roadmap trouxe um ganho imensurável para a ABAL. Segundo relatado à nossa reportagem, a associação notou que não é prioridade, no momento, concentrar esforços no trabalho individual sobre cada elo. A demanda, agora, está em iniciativas que beneficiem a cadeia como um todo. Além disso, algumas temáticas abordadas no documento extrapolam o alumínio e versam sobre a indústria também como um todo. Isso reforça muito o papel da CNI e MDIC no projeto.

Ainda sobre as ações, ABAL e Observatórios as analisaram e classificaram entre dez temas principais – confira aqui. Destaque para a necessidade de campanhas que valorizem a baixa pegada de carbono do metal brasileiro e o desenvolvimento de políticas de incentivo à exportação de produtos industrializados no País.

Próximos passos

“Esse excelente trabalho indica o caminho que o setor brasileiro de alumínio deve percorrer nos próximos anos para atingir seus objetivos. Junto com a ABAL, a CNI acredita em ações a favor da competitividade. As mudanças constantes da economia mundial exigem novas regras e respostas para enfrentarmos o grande desafio de promover o desenvolvimento econômico e a transformação social”
Paulo Afonso Ferreira, terceiro-vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI)

Tadeu Nardocci, presidente do Conselho Diretor da ABAL, definiu bem, no dia do lançamento da Rota estratégica, a atual situação do projeto: “Estamos no fim do começo. Agora, precisamos colocar em prática todo esse planejamento que foi desenvolvido”.

Como fazer isso? Com a experiência de quem já participou de outros projetos, Marília de Souza, dos Observatórios Sistema Fiep, explica que cabe, agora, à ABAL criar um plano de ação para a execução do que foi planejado, trabalhando as demandas do setor junto às instituições de apoio. “A associação precisa sempre deixar claro durante o processo que a execução é responsabilidade de todos os envolvidos”.

Marília também lembra que o planejamento é apenas uma etapa de um processo muito maior de descoberta das potencialidades dos setores e das organizações. “Costumamos dizer que o trabalho maior sempre vem depois de realizado o planejamento. Na mesma medida, surpresas positivas acontecem, quando arranjos institucionais se coordenam de forma inesperada para a solução de um determinado problema.”

De toda forma, todos estão otimistas quanto aos resultados práticos do estudo: o desafio do começo, de lidar com necessidades e interesses do setor inteiro, agora se converte em benefício. “Temos muito mais facilidade na implantação, uma vez que toda a cadeia está alinhada em um mesmo propósito”, celebra Milton Rego.

Os números da Rota estratégica da cadeia brasileira do alumínio
140 especialistas participantes
75 instituições públicas e privadas ouvidas
7 Estados representados
242 ações estratégicas propostas divididas entre 4 elos e que integram 10 temas centrais


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *