Edição 8

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Revestimentos de alumínio começam a ser usados em maior escala nas fachadas dos edifícios brasileiros, nas mais criativas aplicações


Alberto Mawakdiye

Todo arquiteto tem um desafio permanente - o de saber conciliar conceitos como praticidade e beleza em seus projetos e, ao mesmo tempo, escapar da mesmice. É algo difícil de conseguir, se não se tem os materiais certos à mão. A dificuldade aumenta na hora de projetar as fachadas, para as quais os olhos são atraídos antes de todo o resto. De nada adianta projetar um edifício com um bom padrão arquitetônico se as fachadas parecerem pesadas ou descontextualizadas, não "envelopando" adequadamente a edificação.

Já faz algum tempo, um número crescente de arquitetos tem vencido o desafio das fachadas usando painéis e chapas de metal como revestimento. Se aplicado com critério, o metal dá às fachadas um toque de leveza e modernidade, além de durabilidade.
A indústria do alumínio mostrou ao mercado que os painéis são economicamente competitivos, têm escala de produção, quantidade de marcas e modelos e dão muito mais opções do que o seu principal rival, o aço inox.

O resultado é que os revestimentos de alumínio já deixaram de estar presentes apenas nas fachadas dos grandes edifícios comerciais, que são, entretanto, o segmento no qual eles ainda mais predominam. É possível ver painéis, hoje, revestindo as áreas externas de prédios residenciais, postos de gasolina, indústrias, escolas, espaços de eventos, shopping centers, agências bancárias, portos e aeroportos.

"Na verdade, os painéis e chapas de alumínio podem ser utilizados para revestir qualquer tipo de fachada", diz Marcelo Siviero, superintendente da Alcan Composites, produtora do Alucobond, painel composto de duas finas placas (como as de 0,5 mm) unidas por um núcleo termoplástico.

De acordo com Siviero, o material é ideal também para projetos de maior ambição arquitetônica nos quais o tempo de execução da obra é exíguo e não se deseja gastar muito. De fato, é possível cobrir grandes áreas com Alucobond em poucas semanas, já que a implantação é à base de montagem, e a resistência e a leveza do material (um terço do peso do aço inox) dão à fachada condições de prescindir de elementos estruturais compensatórios e ao mesmo tempo liberdade para ousadias formais.

Quando foi construído em 1995, o edifício Plaza Centenário, localizado na Marginal do Pinheiros, em São Paulo, foi considerado como a maior obra do mundo a usar revestimento de painéis de alumínio composto. Os painéis da Alucobond revestiram uma área de cerca de 40 mil m2. As peças foram fixadas em uma estrutura metálica secundária produzida com 90 toneladas de perfis de alumínio, tendo sido instaladas 70 mil ancoragens.

O Alucobond está sendo usado no programa federal de reforma dos aeroportos, cuja arquitetura tenta juntar sofisticação com economia.

Projeto do arquiteto Mário Aloísio, o aeroporto Zumbi dos Palmares, em Maceió (AL), traz uma estrutura mista de concreto e metal. A arquitetura se destaca pelas curvas sinuosas da marquise e dos pilares, e pela geometria diferenciada dos terminais de passageiros.

"O material permite grande liberdade na criação arquitetônica, pois é aplicável aos contrastes de planos e curvas e resulta num acabamento impecável", afirma o arquiteto Sergio Jardim, diretor da Planorcon, responsável pelos projetos do aeroporto Santos Dumont (RJ), Congonhas (SP) e Palmas (TO), dentre outros. "E a implantação é, de fato, bastante simples e rápida."

Variedade

São vários os tipos de revestimentos de alumínio disponíveis hoje no mercado. Além das chapas duplas, também chamadas de painéis autoportantes, como os da Alucobond - que trazem sempre um núcleo central isolante, seja de espuma rígida de plástico expandido ou lã de rocha - existem também os painéis de alumínio sólido. Todos podem ser polidos ou escovados, pré-pintados ou receber pintura depois da aplicação.

A pintura pode ser feita via eletrostática ou por anodização, o que permite ao metal se tornar ainda mais camaleônico nas construções. Quando ganha acabamento de pintura, o alumínio fica mais protegido contra a ação do tempo. Todos os painéis hoje à venda no Brasil incorporam, entretanto, as vantagens clássicas do alumínio. A mais reconhecida é a capacidade do material de resistir às corrosões, o que o faz ser bastante utilizado hoje nos acabamentos de construções litorâneas. Outra vantagem do alumínio é ser um metal de baixa densidade, o que o torna mais leve, mas nem por isto menos resistente. Tanto que as fachadas de alumínio são hoje bastante usadas em edifícios altos em países com muita incidência de terremotos e furacões.
A leveza e a flexibilidade do material, assim como a planicidade, garantem grande maleabilidade no trabalho operacional de implantação e economia desde o transporte e o armazenamento até a própria aplicação. Os painéis e as chapas ainda são imunes ao fogo, apresentando, igualmente, ótima condutibilidade térmica e boa proteção acústica.

Além da Alcan Composites, outra grande produtora de painéis de alumínio é a CBA, cuja linha de produtos Votoral pode atender aos mais diversificados projetos de arquitetura, decoração e construção civil.

Já a Alcoa dispõe dos painéis compostos Reynobond, conjuntos de duas chapas pré-pintadas de alumínio de alta resistência e um miolo de material termoplástico (polietileno de baixa densidade). Muito fáceis de cortar e conformar, eles estão disponíveis em ampla gama de cores.

Outro produto da Alcoa é o AluRevest, constituído de chapa com 100% de alumínio sólido para fachadas e interiores, pré-pintado pelo moderno sistema coil coating, com acabamento poliéster. Esse processo garante uniformidade de cor e resistência a agentes externos. O lado interno do revestimento também recebe pintura protetora incolor. O produto não se limita, porém, às cores standard e especiais. "A Alcoa desenvolve ainda cores sob encomenda, de acordo com as necessidades do projeto", diz Walter Freitas, responsável pela divisão de laminados para construção civil da companhia.

Outra empresa do setor, a Day Brasil, desenvolve o TecBond, painel de alumínio composto com núcleo de polietileno, o que dá ao material maior rigidez e planicidade. Com várias espessuras disponíveis, o painel também se destaca pela capacidade de isolamento térmico e acústico. Além disso, é apresentado em gama variada de cores.

"O TecBond é indicado tanto para fachadas como para revestimentos externos, assim como para pilares, vigas e os muitos elementos existentes hoje na área de comunicação visual", diz Sérgio Freitas, gerente de desenvolvimento de mercado da Day Brasil. Segundo ele, é este último segmento - o de comunicação visual - que tem se revelado mais promissor para os fabricantes de painéis, e no qual a empresa tem atuado com mais intensidade de algum tempo para cá.

Revista Alumínio

Edição 37 Outubro/
Novembro/
Dezembro
2013

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